Pipas em áreas urbanas representam perigo e prejuízo para população

De janeiro a maio deste ano, a brincadeira interrompeu o fornecimento para mais de 100 mil clientes no estado

Soltar pipa é uma brincadeira muito popular em Minas Gerais, mas ela precisa ser acompanhada de perto pelos pais e responsáveis para não trazer riscos à segurança da população. Para se ter uma ideia, nos primeiros cinco primeiros meses de 2019, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foram registrados 201 desligamentos provocados pelo contato de pipas com a rede elétrica, prejudicando mais de 57 mil famílias.

Foto: Carlos Alberto/Imprensa MG

Em todo o estado, foram mais de 100 mil clientes que ficaram sem energia por conta de 438 interrupções causadas por pipas. O uso do cerol – mistura cortante feita com cola, vidro e restos de materiais condutores – é um dos principais causadores dos desligamentos, pois rompe os cabos quando entra em contato com a rede elétrica. Além disso, muitos curtos-circuitos são provocados pela tentativa de retirada de papagaios presos aos cabos.

De acordo com o engenheiro de Segurança do Trabalho da Cemig, Demetrio Aguiar, alguns procedimentos devem ser adotados para que não haja risco à segurança nem ocorram interrupções no fornecimento de energia durante a brincadeira. “As pipas devem ser empinadas em locais abertos e afastados da rede elétrica. Jamais se deve usar fios metálicos ou cerol e, caso a pipa fique presa, não pode tentar resgatá-la”, orienta.

O engenheiro alerta, ainda, sobre os riscos de um tipo de linha cortante feita em escala industrial, chamado de “linha chilena”, que é mais perigoso que o cerol. Tanto o  cerol quanto a “linha chilena” podem causar acidentes graves com as pessoas que os manipulam e também ocasionar acidentes com terceiros, especialmente motociclistas.

No ano passado, foram 2.202 ocorrências na rede elétrica na área de concessão da Cemig, prejudicando 750 mil unidades consumidoras, residenciais e comerciais.

Acidentes graves

Demetrio Aguiar conta que a maioria dos acidentes acontece quando o papagaio fica preso na rede elétrica e as crianças tentam retirá-lo utilizando materiais condutores, como pedaços de madeira ou barras metálicas. O contato com a rede elétrica pode ser fatal, além do risco de queda em função da reação involuntária causado pelo choque elétrico. Nesses casos, as consequências mais comuns são traumatismos, devido às quedas, e queimaduras graves por causa dos choques.

O engenheiro chama a atenção, ainda, para o fato de que o uso do cerol pode transformar uma simples linha de papagaio em um material condutor e provocar choque elétrico ao entrar em contato com a rede. Além disso, muitas crianças amarram as pipas com arames e fios. “São materiais altamente condutores de energia e que acabam sendo energizados quando tocam os cabos de energia, causando o choque elétrico”, explica Aguiar.

Crime e multa

A Lei estadual 14.349/2002 proíbe o uso de cerol ou de qualquer outro tipo de material cortante nas linhas de pipas, de papagaios, de pandorgas e de semelhantes artefatos lúdicos, para recreação ou com finalidade publicitária, em todo o território de Minas Gerais. Quem for flagrado usando cerol ou linha cortante está sujeito ao pagamento de multa, que varia de R$ 100 a R$ 1,5 mil, podendo ser agravada.

Além disso, quando menores são flagrados usando cerol e o material provoca acidente, os pais podem ser penalizados por danos a pessoa física, ao patrimônio público ou à propriedade privada.

Agência Minas 

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