Ano fecha com 2,8 mil casos de ataques de escorpiões atendidos pelo Hospital Universitário

Número é menor se comparado a 2018, mas nos dados gerais envolvendo todos os demais animais peçonhentos houve aumento de 4,3% um ano para outro



O número de pessoas vítimas de ataques de escorpiões em 2019 caiu em 1,92% se comparado ao ano anterior. Os dados são do Núcleo de Vigilância Epidemiológica em Ambiente Hospitalar (Nuveh), do Hospital Universitário Clemente de Faria (HUCF). Os casos notificados diminuíram de 2.908 em 2018 para 2.852 no ano passado. A unidade da Unimontes é referência no atendimento de vítimas destes casos.

No entanto, como se trata de algo grave, a unidade registrou ao mesmo tempo um pequeno aumento no número de óbitos causados pós ataque: foram 4 em 2018 e 5 em 2019 – a maioria de pacientes transferidos de outras cidades da região.

E já na primeira semana deste ano, o HUCF teve outro registro de fatalidade por ataque de escorpião. Uma criança de sete anos recebeu os primeiros atendimentos em Janaúba (Norte de Minas), foi transferida para Montes Claros e, com o quadro de edema agudo no pulmão, sofreu uma sequência de 10 paradas cardiorrespiratórias e não resistiu.

Geral

Os dados apresentados pelo HUCF referente aos números de ataques de todos os animais peçonhentos – cobras, serpentes, aranhas, escorpiões e lacraias, entre outros – também são assustadores. Em todo o ano de 2018 foram 3.217 ataques notificados no HUCF. No ano passado, estes números subiram para 3.356 notificações. Aumento de 4,32% – somente na unidade.

Da equipe do HUCF, o médico pediatra Carlos Lopo reforça o alerta sobre os riscos de acidentes com escorpiões e aranhas, especialmente porque nesta época é comum encontrá-los. “Este é o período de reprodução. Os locais mais comuns de incidência são exatamente os mais sujos: onde há acúmulo de entulhos e de materiais de construção, de folhas e, ainda, paredes sem reboco. Locais de acúmulo de lixo doméstico (como os depósitos em condomínios) e redes de esgoto a céu aberto também são lugares bem perigosos, pois acumulam as principais fontes de alimentos do escorpião: moscas, larvas e baratas”, explica.

Segundo ele, há várias espécies de escorpião, sendo as mais incidentes e perigosas em Montes Claros e região a Tityus bahiensis e a Tityus serrulatus – os escorpiões preto e amarelo, respectivamente. Este último é o mais preocupante diante do alto risco do seu veneno.

Diferentemente das cobras, os escorpiões adultos são mais perigosos devido à quantidade de veneno (nas cobras, o veneno dos filhotes possui mais capacidade de proteólise (digestão) que os adultos). “Mesmo que galinhas e outras aves se alimentem de escorpiões, não é a melhor maneira de prevenção, pois eles possuem hábitos noturnos (enquanto as aves são diurnas). A melhor maneira de prevenir é através da limpeza, cuidados com calçados antes de usá-los, cuidado com as roupas penduradas e assim por diante”, informou Lopo.



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