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Norte de MG concentrou 33% dos conflitos agrários no Estado em 20 anos

22/01/2021

/ by UPira

 Por Max Rocha

O Norte de Minas respondeu por 33% dos casos diretos de conflitos agrários registrados nas primeiras décadas do Século XXI no Estado. Mais de 28 mil famílias se envolveram com a problemática. A questão ganha ainda mais importância e busca por soluções, tendo em vista o avanço acelerado do agronegócio, das monoculturas (como o eucalipto) e das áreas de pastagens, a disputa por água e o potencial identificado na região para a atividade mineradora.

Paulo Jares/VEJA

Foto: Paulo Jares/VEJA

Este cenário é descrito no “Atlas da Questão Agrária Norte-Mineira”, publicação com pré-lançamento virtual organizado pela Universidade Estadual de Montes Claros - UNIMONTES. Com base em dados dos censos agropecuários do IBGE (2006 e 2017) e números da Comissão da Pastoral da Terra (CPT), a obra reúne 73 mapas que analisam o registro oficial de conflitos na região, entre os anos 2000 e 2019.

A publicação conta, também, com textos científicos em seus 14 capítulos, produzidos por professores, pesquisadores e militantes convidados, que estudaram a região em vários temas que convergem para a questão agrária, como a oferta de recursos hídricos numa área de transição do clima semi-árido. Minas concentrou 3,44% de todos os conflitos por terra registrados no Brasil, sendo que 1% do total nacional aconteceu no norte do estado.

Em Pirapora e região

A região foi cenário de 1/3 do total de conflitos no território mineiro, possuindo 4 milhões de hectares de pastagens, ou seja, 2 vezes a área total de Sergipe. Chama a atenção as disputas de terras (28) ocorridas na microrregião do Médio São Francisco, sendo 11 no município de Jequitaí, 6 em Buritizeiro, 5 em Pirapora, 3 em Várzea da Palma e mais 3 em Ibiaí, com registros policiais ou interferência do INCRA.

“Nestas 2 décadas ocorreram 214 conflitos relacionados à disputa de terras norte-mineiras, envolvendo 28.476 famílias. O Atlas é uma constatação sobre o histórico de conflitos na região, com números muito significativos”, revela o Professor Gustavo Cepolini, integrante do Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais e Agrários (NEPRA), da Unimontes, e organizador do livro. 

A elaboração do Atlas teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais/FAPEMIG e CNPq. O pré-lançamento, organizado pela Editora Entremares, disponibilizou o atlas pelo portal https://entremares.noblogs.org/pre-venda-atlas-da-questao-agraria-norte-mineira. O prefácio é do Prof° Ariovaldo Umbelino de Oliveira (USP), referência nos estudos e pesquisas sobre o campo.

O material é todo a cores e a versão impressa terá, ainda, um caráter educativo, com a distribuição para bibliotecas públicas, escolas e assentamentos.




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