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Igreja de Guaicuí, um monumento à história colonial do Norte de Minas

02/02/2022

/ by UPira

O viajante, a igreja inacabada, o bandeirante e as lendas em torno da Igreja histórica de Barra do Guaicuí, cartão-postal turístico da região

Por Max Rocha

Fotos: Álvaro Henrique Gomes da Costa

“Era impossível contemplar sem entusiasmo o encontro dos dois poderosos cursos de água. O Rio das Velhas faz uma curva graciosa de nordeste quase que para oeste e, descendo por um trecho reto, com cerca de 183 metros de largura, mistura-se com o Rio São Francisco, que vem de leste para recebê-lo (…) Se algum lugar merece o selo de grandeza conferido pela mão da Natureza é essa confluência”...


- Trecho registrado no diário do viajante e desbravador inglês, Richard Burton, quando presenciou o encontro dos Rios das Velhas e São Francisco, em 1867.

A confluência narrada por Burton localiza-se nas proximidades do distrito de Barra do Guaicuí, no município de Várzea da Palma (distante 20 km de Pirapora), sendo então um dos principais pontos turísticos da região e do Norte de Minas. A localidade também é fonte de inspiração para histórias, estórias, lendas e contos que dão um clima de curiosidade, mistérios, beleza natural e encantamento aos moradores e visitantes.


Um atrativo do distrito é a Igreja (em ruínas) Senhor Bom Jesus de Matozinhos, erguida com enormes blocos de pedras às margens do Velhas, mas que nunca fora acabada. Imponente, possui uma sólida construção com paredes erguidas pela metade e sem teto. Curiosamente uma grande gameleira cresceu no alto da parede, ao fundo, e a extensão de suas raízes dão textura às paredes do monumento e patrimônio.

Ninguém sabe ao certo por qual motivo a construção fora erguida. Existem documentos atestando que a igreja teve sua construção iniciada pelos jesuítas, que navegavam da Bahia pelo Rio São Francisco acima - os primeiros a tentar a catequização dos índios da região, por volta do ano 1600. Assim, os religiosas passaram pela região décadas antes da expedição do famoso bandeirante Fernão Dias Paes Leme.

Malária, enchentes, areia e pesca


Além de desbravar o interior (sertão) de Minas, Fernão Dias comandou várias missões desbravadoras pelos rincões do Brasil colônia, no século XVII, em busca de ouro e pedras preciosas. Uma lenda conta que os trabalhadores e indígenas morreram de malária durante as obras. Há quem acredita que a construção da ‘igreja de pedra’ foi interrompida ao se constatar que o leito do Rio das Velhas inundaria o local nas épocas de enchentes.


Além da extração de areia, Barra do Guaicuí também é um ótimo destino para quem gosta de praticar a pesca. A localidade varzeapalmense é rica em várias espécies de peixes como curimatá, piau, matrinchã, dourado e mandi. O Comitê da Bacia Hidrográfica (CBH) do Rio das Velhas lembra que o valor histórico e cultural das ruínas da igreja foi oficialmente reconhecido com o tombamento do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico/IEPHA-MG.


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