A cidade norte-mineira, às margens do Rio São Francisco, conta com uma série de incentivos fiscais e vantagens para atrair novas indústrias, inclusive uma cervejaria
Por Max Rocha
Inaugurada em abril de 1973 com as presenças do Governador de Minas, Rondon Pacheco, o Prefeito José Gomes de Sá (Zé Floresta), representantes do Governo federal e executivos da empresa, a antiga fábrica da Cia Itacolomy de Bebidas Antarctica, em Pirapora, funcionou durante 25 anos. Ganhou fama nacional pela qualidade e os diferenciais da cerveja produzida com a água do Rio São Francisco - considerada, pelos especialistas e consumidores, a melhor do país, na época.
No auge da sua produção, a fábrica em Pirapora chegou a contar com 830 empregos diretos e responder pelo abastecimento de 65% do mercado consumidor estadual, no final dos anos 80. Nos anos seguintes, diversos fatores de ordem tributária, econômica e estrutural culminaram com o gradual processo de desativação da indústria de cervejas e refrigerantes em Pirapora. Em 27 de novembro de 1998 a empresa encerrou definitivamente suas atividades.
Assim, a cervejaria optou por transferir sua linha de produção para a unidade instalada em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. A Antarctica respondeu por um importante percentual no VAF/Valor agregado fiscal de Pirapora, contribuindo substancialmente com a arrecadação de ICMS. Além disso, garantia uma folha de pagamento mensal superior a R$ 1 milhão, a circulação periódica de R$ 350 mil em compras no comércio local e benefícios pontuais na área social.
O sucesso da Antarctica no distrito industrial de Pirapora fortaleceu a arrecadação tributária do município; gerou números expressivos no quesito empregos (diretos/indiretos) e renda; fomentou o turismo; assim como atraiu uma série de empresas e prestadores de serviços agregados. Sem dúvida, a indústria cervejeira foi decisiva no desenvolvimento do município, durante quase 3 décadas, em vários aspectos, como lembram os saudosistas e ex funcionários.
Mesmo após a saída da fabricante de bebidas, Pirapora manteve o posto de 2° maior polo industrial do Norte de Minas, com 3 empresas metalúrgicas e 3 têxteis, figurando entre as 35 cidades mineiras de economia exportadora. O setor secundário continuou, até o início dos anos 2000, respondendo por boa parte do produto interno bruto (PIB), da arrecadação e oferta de empregos, à frente do comércio/serviços, do turismo, fruticultura irrigada e agricultura familiar.
Uma série de atrativos
A tradição industrial de Pirapora (iniciada em 1966 com a implantação da LIASA) se soma a uma série de benefícios, vantagens e particularidades para a implantação de uma nova empresa de bebidas no município. Hoje, a política governamental de incentivos fiscais da SUDENE, para a região, é complementada com os incentivos oferecidos pelo Governo de Minas e a Prefeitura; disponibilidade de áreas/imóveis para novos empreendimentos e mão-de-obra qualificada.
A oferta de água do Rio São Francisco pelo SAAE (em quantidade, qualidade e custo reduzido) também é especialmente valorizada juntamente com a localização geográfica privilegiada do município - em relação aos grandes centros urbanos e consumidores. A atual matriz energética, com opções hidroelétricas e solar fotovoltaica - em expansão - torna Pirapora a cidade ideal para o início de uma nova fase na indústria cervejeira brasileira, 23 anos após a "Era da Antarctica"..
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